Rui Jorge, o terceiro vértice

Não foram ontem tão brilhantes contra as Honduras como antes frente à Argentina, os nossos olímpicos do futebol. Mas venceram de novo claramente, tendo deixado por concretizar muitas oportunidades – embora a defesa portuguesa tenha sido feliz ao ver o adversário falhar também hipóteses de golo. E aquela fantástica assistência de Bruno Fernandes a Carlos Mané, sobre a hora de jogo, define bem a classe de uma seleção em que ninguém apostava um chavo quando, há três semanas, o bravo Rui Jorge divulgou uma lista de 18 convocados… apenas com 17 nomes porque um (mais um) havia roído a corda à última hora.

A dupla vitória dos sub-23 de ocasião não muda a realidade que foi a escolha dramática de Rui Jorge: há sete jogadores nos JO que não fizeram parte da lista dos 35 pré-selecionados e arrisco-me até a escrever que algum dos sete haverá que nem num rol de 50 estaria… E se este fenómeno é esclarecedor quanto à qualidade do futebolista português, não é menos verdade que o nível com que a seleção de emergência se apresenta no Brasil tem muito do dedo de Rui Jorge, cuja competência como treinador foi pela primeira vez visível, pelo grande público, em 2009, quando pegou no Belenenses perto do final de uma época desastrosa e a terminou de modo positivo.

Desapareceu há dias, Mário Moniz Pereira, o profeta que demonstrou que os nossos atletas são tão bons como os outros. E vivemos ainda sob a grata emoção que nos proporcionou Fernando Santos, o vidente que acreditou nas suas previsões. Temos agora, pronto a fechar o terceiro vértice do triângulo de fé, Rui Jorge. Que nos prova como estava errado Otto Glória, o percursor: afinal, é possível fazer omeletas sem ovos.

Canto direto, Record, 8AGO16

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