Só os resultados decidem quem vence na vida e quem é derrotado

Se o internacional francês Djibril Sidibé se transferir do Monaco para o Atlético de Madrid, como se espera, as vendas do emblema monegasco nas derradeiras quatro épocas ultrapassarão os 820 milhões de euros, o dobro daquilo que o clube gastou, no mesmo período, a contratar jogadores. Duvido que exista ou tenha existido no passado, no mundo do futebol, um êxito de gestão financeira dessa envergadura, para mais num clube que conseguiu ser campeão e luta em todas as frentes por alcançar títulos. Leonardo Jardim é o grande responsável por esse sucesso e vai ser muito bom poder acompanhar o desenvolvimento da sua carreira. Até onde chegará? Ainda tive uma vaga esperança que ele fosse a escolha do Real Madrid para suceder a Zidane, mas Florentino Pérez preferiu meter-se numa alhada. Azar dele.

Magistral o desempenho da talentosíssima Seleção de sub-19 – mais uma enorme geração de futebolistas que começou a impor-se – e perfeita a liderança de Hélio Sousa, repetindo a conquista do Europeu de sub-17, há dois anos, que não valorizámos o suficiente face ao estrondo da vitória da nossa equipa principal. Curiosamente, foi com a final perdida pelos sub-19, em 2014, primeira de seis alcançadas em quatro anos, que se tornou indiscutível o mérito do trabalho da Federação Portuguesa de Futebol e da presidência de Fernando Gomes. Tal como no caso de Leonardo Jardim, são os resultados – e não as simpatias, os lóbis ou as opiniões – que decidem quem vence na vida e quem é derrotado.

Afinal, Jonas fica ou sai? Se ficar, pode ser um erro, pois o brasileiro é bem capaz de passar boa parte da temporada fisicamente diminuído, uma vez que o corpinho insiste, aos 34 anos, em dar sinais de alerta. Se sair, pode ser um erro porque o Benfica perde golo, garra, lucidez no ataque e um perfume de futebol que só os grandes artistas produzem. Difícil encruzilhada, essa.

E fecho hoje os dois últimos parágrafos a verde e branco, começando pela anedota de há dias, quando se falou que Luís Figo estaria a ponderar uma eventual candidatura à liderança do Sporting. Claro que com a ligeireza com que surgiu, a “ponderação” terminou naquilo que todos nós, veteranos destas guerras, esperávamos: em zero. Figo fez bem porque a sua falta de empatia com os adeptos leoninos levá-lo-ia muito provavelmente à derrota. E foi bom também para o Sporting, já que o risco de o seu antigo jogador poder ganhar existiria sempre e o clube já tem, nesta altura, duas ou três alternativas melhores.

Agora, que se veem tantos candidatos à presidência dos leões, parece-me ser o momento oportuno para recordar aqui os difíceis tempos de há 30 anos, quando o clube estava quase falido e atravessava a maior crise da sua história até então. Os notáveis de Alvalade hesitavam em avançar ou arranjavam desculpas – e Sousa Cintra, chamado a apoiar Carlos Monjardino, não teve outro remédio que não fosse fazer-se à estrada. Na crónica da próxima semana, o atual líder da SAD leonina contará, em discurso direto e ao pormenor, como se candidatou às eleições de 1989, que veio a ganhar, sucedendo a Jorge Gonçalves e salvando o Sporting.

Outra vez segunda-feira, Record, 30JUL18

 

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