A vida Costa

A última sondagem sobre as eleições europeias dava o PS só 5% à frente do PSD. Se isso resulta muito da má aposta dos socialistas – Pedro Marques tem uma imagem que não “passa” – é também consequência do desgaste a que está submetido António Costa e de que a televisão é palco diário.

Referi aqui a sequência imparável de greves e manifestações, e de protestos pela degradação dos serviços públicos, que prometem continuar a abrir telejornais. Entretanto, rebentou a bolha das relações familiares na área governativa – a TVI descobriu até dois técnicos (!) de ministérios… –, os incêndios vieram mais cedo e a seca vai estrear o filme penoso de sempre. Iremos ver o ministro da voz de tenor a anunciar remendos na política da água, sem avançar medidas de fundo – pequenas barragens e centrais de dessalinização, por exemplo – e a enviar camiões cisterna de Norte para Sul como se o problema fosse pontual e inesperado. O bónus dos passes sociais pode não chegar para tanta depressão.

E a este regabofe de desgraças ainda falta, como bem lembrou Pacheco Pereira, o provável resgate do Montepio, um terror que renasce. Há 20 anos, nos “Malucos do riso”, dizia-se uma graçola que o tempo confirmou: ò Costa, a vida Costa.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 30mar19

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