Realizador bom, realizador mau

Não sei se um realizador de televisão tem formação jornalística, o que sei é que se lhe exige sentido do espectáculo, ou seja, a noção daquilo que, a cada segundo, pode interessar ao telespectador. Deve ainda ter memória, o que quer dizer, no caso de ser jovem, que necessita adquirir a que lhe falta, lendo, vendo, perguntando e, no mínimo, estando atento à atualidade.

Vem isto a propósito da transmissão, pela SportTV, de dois jogos de futebol disputados há dias, um em Manchester e outro em Madrid, ambos antecedidos por um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do acidente que destruiu a equipa brasileira da Chapecoense.

Em Old Trafford, com os onzes perfilados no centro do campo, a realização procurou na bancada Bobby Robson, sobrevivente de uma tragédia semelhante, em Munique, em 1958, símbolo vivo da dor que atravessava o mítico estádio do MU – foi um grande momento.

Pouco tempo antes, em idêntica cerimónia, em Madrid, as câmaras captaram os rostos fechados de quase todos os jogadores, ignorando dois: os brasileiros Casemiro e Pepe, logo eles, os mais afetados com a morte dos seus compatriotas – foi um trabalho incrivelmente mau. Duvido que haja na nossa TV um realizador tão incompetente assim.

Antena paranoica, CM, 3DEZ16

Nota – Hoje, no minuto de silêncio no Vicente Calderón, a realização deu-nos um grande plano de Filipe Luís, e em Alvalade foi Bruno César a merecer a atenção do realizador da SportTV. Elementar…

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