Real Madrid e CR7: confirmação de um divórcio suicida

Na véspera da visita do Atlético de Madrid ao Juventus Stadium, não resisto a centrar-me na louca jornada europeia do meio da semana passada, que nos trouxe a eliminação do Real Madrid e do PSG, da Liga dos Campeões. Um, goleado no Bernabéu pelo novo Ajax, um fenómeno de juventude e qualidade, o outro, derrotado em casa por um Manchester United despojado de muitas das suas estrelas – o mesmo MU cujo plantel, completo que estivesse, não servia para José Mourinho.

Mas se dois colossos do futebol europeu ficaram para trás, os próximos dias podem trazer-nos, além da inevitável queda de um terceiro, Bayern ou Liverpool, o mais que provável afastamento de um quarto, a Juventus, que perdeu no Wanda por 2-0 e cujo rendimento – tanto coletivo como das suas maiores estrelas – tem sido dececionante. E se parece difícil vermos a Juve marcar três golos ao Atlético, mais difícil ainda é acreditar que Griezmann e companhia fiquem em branco no duelo de Turim.

A acontecer a eliminação da Juve, volta a colocar-se o “drama” que venho aqui salientando há oito meses: o brutal prejuízo que a separação de Real Madrid e Cristiano Ronaldo causou à ambição e à permanente necessidade de conquista de êxitos desportivos de um e de outro. Foi um verdadeiro divórcio suicida, uma perda de prestígio e de muitos milhões de euros.

Com a renúncia de CR7 e de Zidane, e os erros de Florentino Pérez, o Real destruiu uma equipa que tinha ganho tudo e que dispunha de lastro para mais conquistas. E longe do Real Madrid, Cristiano quebrou drasticamente de rendimento. Irá marcar esta temporada menos uns 20 golos do que lhe era habitual e será “apenas” campeão de Itália, e talvez o melhor marcador da Serie A, dizendo adeus, se calhar em definitivo, aos prémios individuais de relevo que ajudaram a construir a sua glória. Valeu a pena? Não valeu. A não ser que amanhã ele tire da cartola uma exibição das antigas, mande o Atlético para fora da Champions e reescreva esta história de pessimismo e desilusão. Como eu gostaria que estivesse errada!

Ainda a propósito da Liga dos Campeões: Buffon foi para o PSG para a conseguir ganhar e perde-a logo com um “frango” seu… E melhor: com o Real eliminado, quem segue na prova? Casillas e Pepe, como é a vida!

O Sporting, que poderá ter perdido o título de 2015/16 por causa de um golo mal anulado a Slimani, no Bessa – venceu no sábado o Boavista graças a um penálti forçado. Edu Machado ganhou a posição e, de costas para Raphinha, abriu os braços para a defender – como acontece milhares de vezes dentro da área, sem que haja punição. Já com a bola longe e sentindo o braço do boavisteiro junto ao pescoço, o avançado dos leões encostou-lhe a cara e mergulhou “à Neymar”, simulando dores pavorosas. Em Inglaterra, levaria cartão amarelo, mas aqui, como em Espanha, manda a incompetência e tudo é possível. Honra para Bruno Fernandes, que não comemorou o golo por respeito a uma camisola que envergou, e para Lito Vidigal, cujo trabalho foi destruído de forma lamentável. E palmas para as exibições de Acuña, Mathieu e Coates, curiosamente aqueles jogadores que parecem estar de saída de Alvalade. Melhor é que o Sporting não arranja com toda a certeza.

O último parágrafo vai de novo para a lenda do snooker, Ronnie O’Sullivan, que conquistou ontem, aos 43 anos, o The Players Championship, o seu quarto título da temporada, e se tornou no primeiro jogador da história a atingir o milésimo “century break”, ou seja, mil “tacadas” a mais de 100 pontos. Absolutamente genial.

Outra vez segunda-feira, Record, 11mar19

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