Que grande carreira, Bruno Alves!

Olhou para o guarda-redes, calculou a trajetória, respirou fundo, deu dois ou três passos e rematou com o talento dos predestinados. O estádio ergueu-se em delírio, o Parma empatava, aos 87 minutos, a partida com o Mílan, que parecia perdida. O autor da proeza foi o capitão de equipa, campeão da Europa, comendador e “globetrotter” do futebol: jogou na Grécia, na Rússia, na Turquia e na Escócia, além, claro, de Portugal e de Itália. Quase 130 vezes internacional, sendo 96 na Seleção A, injustamente de fora das últimas convocatórias de Fernando Santos e esquecido pelo FC Porto – que há muito devia ter feito com ele o que fez, e bem, com Pepe – Bruno Alves é ainda, a caminho dos 38 anos, um enorme jogador. E não foi por acaso que o Parma lhe estendeu o contrato inicial, de um ano, até 2020. Chapeau!

A 8 de julho de 2018, esta crónica semanal teve um título: “O maior erro da vida de Cristiano”. Nove meses bastaram para se confirmar que a saída do Real Madrid foi funesta para o clube e para o jogador, ambos afastados precocemente da Champions – o Real antes da Juventus, que apesar de tudo conquistou o oitavo Scudetto consecutivo, enquanto os merengues terão de se contentar com o terceiro lugar na liga.

Como o tempo não volta atrás, não tenho dúvidas que Cristiano atingirá outros objetivos igualmente notáveis na sua carreira, uma vez que nada tem a provar após ter alcançado quase todos os êxitos com que um futebolista pode sonhar. Mas a situação atual, a que não estava habituado e que o afasta da luta pela Bola de Ouro, deixou marcas. Exemplo: durante quatro dias – entre o trambolhão na Liga dos Campeões e a reconquista da Serie A – as suas contas nas redes sociais ficaram em branco para desgosto de 362 milhões (!) de seguidores. Nem uma palavra sequer sobre a tragédia na Madeira ou um voto de pesar à família do lendário Agustín Herrerín, delegado do Real Madrid, “mordomo” do Santiago Bernabéu e seu amigo, entretanto desaparecido. Só no sábado, quando chegou o título, o segundo da época para a Juve, a azia cedeu.

No palco certo, que era em Frankfurt, faltou um golo de João Félix para qualificar o Benfica e para fazer subir a cotação do avançado. A propósito do que defendi aqui a semana passada: além dos 70 milhões de euros por Jovic, o Real Madrid quer fechar o negócio Hazard por 100 milhões. Quem pagará pelo geniozinho benfiquista os 120 milhões da cláusula de rescisão?

Não foi só por causa da falta de um golo na Alemanha que o Benfica se viu afastado da Liga Europa. Na Luz, a cabeçada vitoriosa de Gonçalo Paciência podia ter sido evitada e em vez de quatro os encarnados deviam ter marcado cinco ou seis. Mas existiu outro fator importante na eliminação: a exibição do Benfica na última quinta-feira, uma desinspiração total.

Depois de terem tramado José Mourinho e com Pogba à cabeça, os baronetes do Manchester United voltaram a mostrar a massa de que são feitos. Eliminados da Champions pelo Barcelona – sem apontarem um golo – foram ontem arrasados pelo Everton de Marco Silva, que já é o primeiro da Premier… a seguir ao “big six”.

Oitava vitória consecutiva do Sporting. Keizer soma e segue, o resto é conversa para encher pneus.

Parece bruxedo mas é apenas sabedoria e trabalhinho: Vítor Oliveira, desta vez com o Paços de Ferreira, acaba de conseguir a sua 11.ª subida ao primeiro escalão. Deve ser caso único no Mundo!

O último parágrafo vai para os “golaços”. Qualquer golo mais bonitinho é repetidamente rotulado, nos sites, nas televisões ou nos jornais de… golaço. Parece que jornalista ou comentador que não recorra a esse termo do futebolês não é digno de pertencer à tribo. Uma tristeza.

Outra vez segunda-feira, Record, 22abr19

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