Por onde andam os que gozavam com o “somos Porto”?

Com o Benfica a fazer convergir sobre a sua equipa o foco das vénias generalizadas pelo maravilhoso futebol desenvolvido e o Sporting a representar o papel de bombo da festa de todas as desgraças, o FC Porto foi saindo entretanto do radar daquela crítica que só exerce o seu magistério com denodo quando lhe cheira a sangue – porque sabe que é disso que se alimentam as emoções e se produzem as audiências.

Por onde andam hoje os arautos das graves insuficiências portistas? Os que gozavam com o “somos Porto” de Nuno Espírito Santo e consideravam o técnico incapaz de devolver aos azuis e brancos as capacidades competitivas de outrora? Os que diziam e escreviam que os dragões – apesar de terem um banco recheado de estrelas como Brahimi, Herrera ou Layún – dispunham do pior plantel dos três candidatos ao título? Os que garantiam o fracasso de Felipe por causa de recorrentes falhas de posicionamento? Os que – e aqui está um, lamento – achavam Marcano um central horrível? E os que desprezavam Casillas por estar acabado? Por onde andam?

Andamos por aí, afanosamente à procura de outras intempéries que legitimem a nossa razão, sabendo que vivemos num país em que nem o que ficou escrito é recordado. Mas com a verdade se exorciza o erro. E ela manda reconhecer o excelente trabalho que Nuno Espírito Santo está a levar a cabo no FC Porto. Contra quase tudo e quase todos é ainda mais difícil. Chapeau!

Canto direto, Record, 13FEV17

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