“Casados à primeira vista”: pessoas em vez de grunhos

Inebriada pelo êxito de “Casados à primeira vista”, a SIC deu sinal de quebra no combate à concorrência, no dia de Natal. Enquanto, na TVI, Fátima Lopes oferecia o corpo às balas, Daniel Oliveira optava por deixar Dona Júlia à lareira e enchia a programação de filmes, alguns com barbas. Mas o que parecia – a um ignorante na matéria como eu – ir tornar-se numa catástrofe para a SIC, resultou num banho de audiências na TVI, um aperitivo para o duelo do início do ano, quando Cristina Ferreira enfrentar, logo pela manhã, o Manel e a sua nova Maria.

Mas agora o que me afeta é o fim da primeira série de “Casados”, que a minha costela de saloio me levou a seguir. Como milhares de portugueses, gosto de ver as reações de pessoas normais que nos fazem esquecer que vivemos no meio de grunhos. E vou sentir a falta da mocinha que não sabe em que país fica o Douro ou como se escreve scones, do nobre que não queria cozinhar nem passar a ferro, da instrutora apaixonada que fala com a boca cheia, do surfista angustiado com a comunicação, do motorista chato de cabeça dura, do empresário que sussurra e não aguenta a pressão, da cota cansada que só o que quer é ação ou mesmo da sogra que tem um marido “muito autoritário” e que está “farta de mulheres”. E da Diana Chaves – cujo desempenho foi brilhante.

Feliz 2019, leitor!

Antena paranoica, Correio da Manhã, 29DEZ18

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