Pequenos gigantes, gigantes conselhos

Lá terminou o “Pequenos gigantes”, acabando também – por enquanto, pois espera-nos nova série do formato mexicano – a exploração da ingenuidade infantil que cria a ilusão da “fama” e do “sucesso”. O defeito será meu, mas não é bonito ver crianças a chorar, desanimadas e convencidas que são elas as culpadas de não terem seguido “em frente”, se calhar porque “não prestam”.

Repetida a ideia de críticas anteriores a programas semelhantes, é justo acrescentar que na TVI, na Endemol ou em ambas houve agora a preocupação de fazer pedagogia. E em vez de cromos a dizer patetices, tivemos Manuel Luís Goucha a dar o tom a Rita Pereira e David Carreira, e os três a substituírem expressões enganosas como “tu vais muito longe”, “eu nunca vi ninguém assim” ou “tu és fabuloso”, por conselhos que só papás interesseiros não devem apreciar, casos de “vale a pena investires na tua formação”, “se estudares podes conseguir” ou “tens de somar trabalho ao teu talento” – um bom passo no sentido certo.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 3OUT15

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