Pedro e Rui: não se lhes ouve uma ideia

A campanha para a liderança do PSD está a ser marcada por pormenores folclóricos e não se ouve aos candidatos uma ideia para o País, não se lhes conhece um projeto de rutura ou algo de inovador.

Tenho pena que Pedro Santana Lopes, de quem gosto, optasse por esta tentativa de renascimento político nas atuais circunstâncias, favoráveis a António Costa e à nova geração que se lhe seguirá. Como Rio, Santana pensa que basta aparecer, utilizar o seu poder de comunicação e dizer: “Eu estou aqui e sou maravilhoso”.

Em 2013, achei que António José Seguro era uma excelente opção para o PS porque vinha de outra cultura política e poderia constituir uma pedrada no charco em que caímos. Hoje, vejo esse papel renovador da esperança mais na figura de Luís Montenegro.

Porque sendo eu um veterano, não entendo essa tarefa atribuída a velhos. Como conseguirá Rio, ou Santana, perdidas que sejam as legislativas de 2019 – o que só não sucederá se surgir enfim a Costa o diabo que Passos anunciou – resistir na liderança do PSD até 2023 e ganhar, então, talvez, as eleições? É que nessa altura, Rui Rio terá 66 anos e Santana Lopes 67, e com a legislatura pela frente seriam já septuagenários em 2027.

Não haver, em 2018, um político jovem, que galvanize a oposição e o País, é um drama. Costa sorri, mas nem para ele isso é bom.

Observador, Sábado, 11JAN18

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