País de doidos varridos

Aumenta o número de portugueses a precisar de internamento, diria até que a nossa sociedade, como um todo, tem uma noção distorcida da realidade, não bate bem, pronto.

Integro-me alegremente no desatino coletivo – ainda há dias escrevi que Lincoln foi o primeiro Presidente dos Estados Unidos e houve “apenas” 15 antes dele… – mas, existindo prioridades, cedo o meu lugar nas urgências aos mais necessitados. Como é o caso da rapaziada dos serviços de viação não sei das quantas, que tentou agora passar a multar os condutores das ambulâncias por excesso de velocidade (!), como se, para salvarem vidas, não as víssemos, desde sempre, a ignorarem sinais vermelhos, pisarem riscos contínuos ou circularem fora de mão. É de doidos varridos.

Mas andava eu enrolado nesta onda delirante quando a CMTV me mostrou os interrogatórios que José Sócrates fez aos tipos que o mandaram prender, cenas a que não faltaram gritos, dedos espetados, trejeitos, murros na mesa, bravos e pás, muitos pás, que transformaram uma questão judicial num pleito político ao jeito do cliente. Espero que em próximos capítulos saibamos se algum procurador foi detido.

Por alguma coisa, após tantos anos de ameaças, nunca fecharam o Júlio de Matos.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 21ABR18

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