O secretário temerário

Joaquim Pais Jorge tem fama de
competente, pelo que se percebe que tenha sido vítima dos “Rasputines” da corte,
hoje donos do país: os do PSD, que atacaram o PS com o escândalo dos “swaps”, e
os socialistas, que retaliaram com o currículo recente do ex-secretário.

Caído no alçapão da “baixeza
política”, não espanta que o supliciado esperneasse, tentando sobreviver, mas não
se percebe, nestes tempos em que o marketing fabrica o que quer e as imagens desfocadas
desfazem carreiras, a impreparação temerária com que Pais Jorge enfrentou os jornalistas.

Vimo-lo, de lunetas na ponta
do nariz, a meter as mãos pelos pés, a utilizar frases caricatas como a do “não
posso evidenciar”, e ao que parece mentindo, como se várias reuniões em São
Bento pudessem abandonar a memória de um especialista em números, que tem na
capacidade de retenção de dados uma ferramenta.

E espalhou-se ao comprido, embrulhado
em papel de seda.

Antena paranoica, publicado na edição impressa do Correio da Manhã de 10 agosto 2013

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