O que devo a Antero Henrique

Vinte e seis anos é meia vida, a meia vida que Antero Henrique dedicou ao FC Porto. Vítima da seca de títulos por que passa o Dragão, do desgaste provocado por um caminho carregado de espinhos e armadilhas, e – pelo que se sabe e se não sabe – do fogo amigo das divergências, das intrigas e das agendas próprias, terminou o ciclo de um dirigente que fica na história portista.

Devo a Antero Henrique, e deve-lhe o Record, o esforço na amenização possível dos efeitos colaterais de uma guerra que outros começaram. Com pragmatismo e boa vontade, pudemos muitas vezes convergir sem abdicarmos de pontos de vista diferentes e de interesses que, parecendo comuns, logo se tornavam opostos: de um lado, o compromisso permanente de informar os leitores, do outro, o incómodo sempre que as notícias eram publicadas numa altura considerada menos conveniente para o negócio.

Almocei com o ex-número dois da estrutura azul e branca, com o atual diretor de Record, António Magalhães, e com o chefe de redação Jorge Barbosa, em dezembro de 2011, antes de entregarmos a Hulk, no Estádio do Dragão, o Prémio Artur Agostinho, numa cerimónia em que esteve também Pinto da Costa, mas que não teria acontecido sem a intervenção de Antero Henrique.

Recordo ainda o telefonema que me fez, em 2013, por altura da minha saída da direção deste jornal, para me desejar boa sorte. Retribuo agora publicamente a atenção, deixando-lhe a certeza que os últimos três anos me permitiram descobrir: há mais vida para além do futebol.

Canto direto, Record, 5SET16

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