O Palhinha que ficasse no Restelo, ora!

Hoje podem ser de novo 10 pontos a separar o Sporting do líder, reforçando-se com isso a forte candidatura dos leões ao 3.º lugar, que dará ainda esta temporada acesso a uma pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Tanto mais que Sp. Braga e V. Guimarães se dedicam nesta fase mais à contemplação das planícies do que ao futebol.

Dois pormaiores. Como quase sempre, o clássico do Dragão decidiu-se nos pormenores, diria até nos pormaiores: um com 1 metro e 89 de altura e outro com 1 e 96. O primeiro chama-se Palhinha e a estreia num duelo de fogo correu-lhe mal, o que é muito bem feito: tivesse ficado no Restelo e não tinha destas chatices.

Soares é fixe. Com a obsessão pelo fora de jogo, Palhinha começou por deixar Soares sozinho frente à baliza para que o brasileiro, que é fixe, fizesse o 1-0, e ficou-se depois nas palhetas na jogada do segundo golo, perdendo no corpo a corpo com Brahimi. O argelino tem menos um palmo de altura e ainda há pouco tinha guia de marcha para nenhures porque não servia nem para mudar a areia ao gato.

A galope na pradaria. O segundo pormaior dá pelo nome de Coates, que na galopada de Soares pela pradaria, rumo ao 2-0, parecia persegui-lo a coxear, tal a diferença de velocidades. Sim, eu sei, não se pode ter perto de dois metros e dominar o jogo aéreo, e ser simultaneamente um galgo que voa sobre a relva, é verdade.

Fabuloso El Mago. O que poucos contariam é que Jesus, mantendo embora Palhinha em campo, conseguisse dar a volta à mortiça exibição da primeira metade – a aposta em Matheus Pereira foi outro falhanço – logrando-o em boa parte pela excelente exibição de D. Ruiz II. Menos artista que D. Ruiz I, El Mago é mais direto no seu jogo e tem um pé esquerdo fabuloso, que aplicou a matar, aliás, à entrada da área, para que os leões reentrassem na partida.

Asas abertas. E por muito positiva que tenha sido a atuação do FC Porto, o Sporting só não chegou ao 2-2 porque faltou a habitual assinatura do ponto de Bas Dost e sobrou a classe de Casillas, com duas defesas fenomenais que evitaram o empate. E aqui para nós, talvez também porque, aos 78 minutos, após Corona ter saltado de asas abertas, Hugo Miguel não achasse que a bola que lhe bateu no braço mudou de trajetória. Seria preciso coragem para entender coisa diferente? Ah, disso não temos.

Contracrónica, Record, 5FEV17

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