O homem que não resistia a subsídios

Há pessoas com tendência para fazer inimigos e pagar pela irritação coletiva. É o caso de Feliciano Barreiras Duarte, ex-secretário-geral do PSD, acusado de ter melhorado o seu currículo académico, e atingido de novo, antes de poder recuperar do primeiro tiro, por supostamente ter recebido, largos anos atrás, como deputado, um subsídio de residência a que não teria direito.

Integrante do núcleo duro de Rui Rio, líder político que se tem distinguido pela defesa de princípios, Barreiras Duarte teve de se demitir. Sorte dele porque os inimigos, de dentro e de fora do seu partido, já faziam circular pelas redes sociais cópias de um artigo do Público, de 14 de fevereiro de 1992, em que se dava conta de outra acusação feita ao então vereador social-democrata da Câmara Municipal do Bombarral, Feliciano Barreiras Duarte.

Segundo o jornal, ele teria comunicado aos serviços do município dispor de viatura própria, a fim de receber o subsídio de transporte, uma vez que residiria em Lisboa. A respetiva verba foi-lhe paga entre junho de 1990 e dezembro de 1991, altura em que terá deixado de morar na capital. O problema estava apenas num (Feliciano dixit) “simples pormenor”: é que, em 1990, Barreiras Duarte não tinha carro, nem documento de condução, já que só em abril do ano seguinte tirou a carta…

Com ou sem razão, Barreiras não se livra da fama de, como bom português, não resistir aos subsidiozinhos, e fez-me recuar duas décadas, ao início de 1999, quando o semanário Tal&Qual se pôs escavar a vida de Capoulas Santos – ministro da Agricultura entre 1998 e 2002 – e descobriu que ele moraria em casa da filha, em Lisboa, e receberia subsídio de alojamento pelo facto de a sua residência oficial, à época, não ser na capital. Curiosamente, os arqueólogos de serviço ou têm fraca memória ou não quiseram agora, a propósito de Barreiras Duarte, sacudir o pó a Capoulas. Fizeram bem, ralações não faltam ao homem.

Parece que foi ontem, Sábado, 28MAR18

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