O Estado é um deserto na hora de fazer cumprir as leis

Notícias davam como sendo sete os feridos, outras referiam nove, mas os repórteres dos vários canais souberam que houve quem aparecesse mais tarde nos hospitais a fazer os curativos, alegando ter caído na escada, ou que meteu o mercurocromo e as ligaduras em casa com receio de ser acusado de participar num crime.

As corridas ilegais com viaturas modificadas são um evento habitual aos domingos à noite em Ribeirão, Famalicão, pelo que o acidente provocado por uma jovem de 17 anos, sem carta de condução – e que só por sorte não fez vítimas mortais – poderia ter sido evitado se a GNR tivesse atuado preventivamente.

Não se tratou de caso único, longe disso, a vista grossa das autoridades. É idêntica à que faz, por exemplo, a PSP de Lisboa aos carros estacionados em cima de passeios e passadeiras, nas curvas e em segunda fila. Essas e outras negligências resultam do abandono das polícias pelo poder político e da hostilidade daqueles juízes que entendem que os agentes devem aguentar insultos e ameaças, os punem se agem com maior firmeza e os condenam até a pagar indemnizações quando disparam sobre bandidos.

Temos um Estado carregado de leis que vai ficando um deserto na hora de as fazer cumprir.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 21JUL18

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