O ADN da CMTV

Na terça-feira, tive uma surpresa, ia apanhando um susto. Estava no zapping do meio-dia quando dou com uma notícia de última hora na SIC Notícias: o comandante da GNR de Loulé fora detido por alegado envolvimento no caso de Tancos. Já está na CMTV, pensei. Mas na estação da casa seguia o imparável Duarte Siopa e o “Flash Vidas”. A TVI24 ocupava-se de um incêndio em Gondomar e a RTP3 tratava da vidinha habitual. Regressei à SIC Notícias, então com uma repórter junto ao posto da GNR, a falar dos momentos de tensão que ali se teriam vivido, mas sem mais nada para acrescentar.

E a CMTV? Rebate falso. Num minuto, Siopa entrara em pausa para sabermos não que fora preso um sargento e que em Loulé brilhava o sol, mas da detenção de oito pessoas, entre as quais o diretor da PJ Militar, coisa pouca – ou seja, notícia completa e analisada, já com Rui Pereira e Carlos Anjos em direto.

Senti-me envergonhado por ter admitido o impossível e só me animei no dia seguinte, quando o CM avançou primeiro com a prisão de Rosa Grilo e do cúmplice – enquanto outros canais esperavam pela “confirmação oficial”… – e a CMTV voltou a arrasar nas audiências, com oito (!) comentadores em estúdio. Afinal, o ADN não se muda.

Antena paranoica, “Correio da Manhã”, 29SET18

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