O abismo

Prossegue a longa agonia do futebol português. A Liga de Honra, a cujos jogos sensaborões vamos assistindo em transmissões televisivas igualmente entediantes, está com uma média de espectadores inferior a 900, no final da primeira volta.

Na Taça da Liga, uma boa ideia mal concretizada, os desafios parecem decorrer à porta fechada, tão pouco significativas têm sido as assistências. O último V. Guimarães-Benfica, um clássico do nosso futebol, foi visto por uma plateia de 4 mil pessoas, e às sempre despidas bancadas do Municipal de Leiria nem 3 mil adeptos acorreram para ver o Sporting. E a deslocação do FC Porto a Coimbra, para outro autêntico clássico, mereceu o interesse de 1 600 espectadores.

Talvez a primeira Liga nos dê outro ânimo, ora deixa cá ver… Pois não, a média do Sporting em Alvalade está nos 26 mil esta época, com 23 mil no último jogo, com o Leixões. Quanto ao Benfica, começou por ter 54 mil na Luz para ver o Marítimo, mas só voltou a ultrapassar a fasquia dos 50 mil quando recebeu o FC Porto. Mesmo assim, vai com uma média de 46 mil, a melhor da Liga. E até os dragões, que esgotavam o seu estádio há bem pouco tempo, tiveram 24 mil a ver a derradeira partida com a U. Leiria, fechando a primeira volta com 33 mil de média.

Do resto, nem valia a pena falar. Se V. Guimarães, com 17 mil por jogo, e Sp. Braga, com 12 mil, ainda vão enganando a crise, os outros estão desgraçados. O melhor dos piores é o Olhanense, com quase 5 mil, e no fim aparece a Naval, apenas com 1 700 espectadores por desafio – e FC Porto e Sporting já foram à Figueira da Foz.

Moral desta história: estamos como o País, caminhamos para o abismo e chutamos para canto. O deixa-andar é a nossa especialidade.

Canto Direto, crónica da edição impressa do “Record” de 16 Janeiro 2010

Nota: Publicado este comentário na edição impressa e perante reparos de alguns leitores verifiquei que as médias de Benfica e FC Porto eram as da época anterior e não desta. Peço desculpa e faço a devida correção neste blog, no texto acima, uma vez que no papel… tarde piaste.

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