Nem só de futebol vive o homem

Não fui um modelo de disciplina enquanto desportista, pelo contrário, mas custou-me ver o comportamento do voleibolista Alexandre Ferreira, que no decurso do jogo que opôs a seleção portuguesa à congénere iraniana insultou por diversas vezes o árbitro, com uns bem audíveis “filho da p…!”. Depois de receber um cartão amarelo, por ter reclamado com o juiz principal, bateu palmas – o que já não foi bonito –, voltou a dirigir-se ao homem do apito em termos que lhe valeram o cartão vermelho, passando então aos palavrões. A um capitão de uma representação nacional – ainda por cima numa partida da Liga das Nações, transmitida em direto pela televisão – exige-se uma conduta que sirva de exemplo aos mais novos e que dignifique o país, e não atitudes ao nível da triste escola da “Casa dos segredos”.

Não quero ser moralista, ignorando as circunstâncias. A Seleção ganhou brilhantemente o primeiro “set” à cotada equipa do Irão e só não venceu o segundo porque Alexandre Ferreira falhou os dois últimos remates, um deles num “set point”. Para um jogador da sua categoria, um “globetrotter” do voleibol, deve ter sido desesperante, mas o desporto é assim, nem os melhores atletas são máquinas. No terceiro “set”, Portugal começou bem, chegou aos 6-1 e a partir daí entrou numa fase de descontrolo, que a postura impulsiva de Alexandre Ferreira só agravou. Acabámos derrotados, por 3-1, e nos dias seguintes, sábado e domingo, voltámos a perder, por 3-0, com a França e com a Austrália – esta uma seleção de todo ao nosso alcance. Curiosamente, não encontrei na comunicação social referência ao deplorável caso – existe um espírito de solidariedade “olímpica” que condena ferozmente, no pontapé na bola, atitudes que desculpa nas outras modalidades – o que significa que ou Alexandre Ferreira tem a capacidade, e só posso acreditar que sim, de reconhecer e corrigir um momento infeliz ou novas vergonhas esperam por ele e por nós.

O Real Madrid conquistou a sua 35.ª liga de basquetebol após emocionante disputa com o Barcelona, graças à maior qualidade individual dos seus jogadores. Campazzo foi o artista do derradeiro duelo, mas gostei particularmente da atuação, no conjunto das quatro partidas, do cabo-verdiano Walter Tavares, de 27 anos, uma imponente torre de 2 metros e 21 (!) que trata do domínio merengue lá em cima, junto às nuvens…

Com a 10.ª vitória em Halle, em 13 finais, Roger Federer alcançou o seu 102.º título ATP e ficou “apenas” a sete de Jimmy Connors. Foi o terceiro triunfo do ano do tenista suíço – Rafa Nadal e Novak Djokovic somam dois – o que abre as melhores perspetivas para Wimbledon, cujo torneio se inicia a 1 de julho. Continuará a ditadura do “big three” ou irá finalmente assumir-se a “nextgen”? Tomara cá domingo!

O último parágrafo vai então para o futebol e para Marinho Peres. O antigo defesa do Barcelona, “capitão” da seleção brasileira no Mundial de 1974 e (por quatro vezes) treinador do Belenenses, de 72 anos, sofreu um AVC e luta pela vida, em Sorocaba, São Paulo. Tive o prazer de assistir, no Jamor, à conquista azul da Taça de Portugal, em 1989 – vitória (2-1) sobre o Benfica – e de receber Marinho, na redação de Record, em 2007, ano em que voltou a Portugal para rever os amigos. Queremos boas notícias, Marinho.

Outra vez segunda-feira, Record, 24jun19

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