Nasceu há 20 anos o jornal que mudou os outros jornais

A 5 de maio de 1998 foi lançado, perante grande expetativa, o diário 24horas, que duas décadas depois podemos considerar que mudou o paradigma da imprensa portuguesa. Desde logo porque custar 100 escudos, o que obrigou os outros diários – primeiro o Diário de Notícias e por último o Correio da Manhã – a baixarem os preços de capa, para 100 escudos. E a seguir porque se assumiu como tablóide – um termo horroroso para os faróis da deontologia – e explorou o noticiário cor de rosa, forçando também, nesse particular, a criação de secções de people na concorrência.

Não foi um trabalho fácil. A composição da redação, por exemplo, tornou-se dramática porque na definição da linha editorial não se conseguia ir além do popular com qualidade, uma espécie de ovo de Colombo. Fui chefe de redação antes ainda de chegar o mobiliário e vivi com o fundador e diretor, José Rocha Vieira, os dias difíceis dos primeiros números zero. O 24horas nasceu com o capital suíço da Edipresse e morreu 12 anos mais tarde, na Controlinveste, sem nunca ter encontrado o seu espaço de sobrevivência no mercado. Apesar de ter alcançado vendas médias de 50 mil exemplares, em 2004 – onde isso já vai, como nos foge a vida…

Desterrado na Extra!

Em abril de 1998, a um mês do lançamento do 24horas, fui responsabilizado pelo atraso da saída do diário – que em nada dependia de mim – e substituído na chefia de redação pelo jornalista António Matos. Passei, então, a editor da revista de domingo, a Extra!. Crises sucessivas de liderança e vendas de 15 mil jornais/dia levaram-me de novo à chefia, no verão de 2000. Diretor do Tal&Qual no início de 2001, passei a dirigir também o 24horas em setembro desse ano, lá permanecendo até fevereiro de 2003, mês em que me transferi para o Record. Facto: a média de vendas da minha última semana no 24horas ultrapassou os 60 mil exemplares.

Parece que foi ontem, Sábado, 26ABR18

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