Nadar e fazer pela vida enquanto outros se afogam

A crise da informação impressa tem explicações várias, que vão do avanço das edições gratuitas online à marcação a tudo o que mexe por parte dos canais de TV – e por vezes em direto, com formação de opinião incluída. A essa realidade não responderam, como deviam, muitos profissionais dos média, que preferem agarrar-se à cabeça até se afogarem do que nadar e fazerem-se à vida.

O conforto do rabo sentado e a dependência do que trouxer a agenda mandam em algumas redações, reféns da inércia e dos direitos adquiridos da corporação exangue.

Confirmámo-lo agora no 10.º aniversário do desaparecimento de Maddie, em que a generalidade das estações se limitou a somar ao que tem no arquivo uns debatezinhos que nada acrescentaram ao pouco que sabemos e a tudo o que desconhecemos.

Custa-me ir por aí mas tem de ser: o que fez, aqui na casa, a CMTV? Preparou o tema, procurou novos ângulos de abordagem, esmiuçou pormenores “esquecidos” com a oportuna entrevista ao ex-inspetor Gonçalo Amaral e pôs no estúdio comentadores que sabem do que falam. O resultado foi demolidor: “Maddie – o Enigma” ultrapassou os 140 mil espectadores e bateu toda a concorrência, incluindo já a RTP1. Até parece fácil: trabalha-se e acontece.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 6MAI17

Partilhar

Os comentários estão fechados.