Manuel Luís Goucha, a defesa de Gonçalo e a lei da selva

Ao longo dos anos tenho aqui sublinhado a minha antipatia pelos programas que exploram os sentimentos das crianças e, em boa parte dos casos, lhes abrem perspetivas irrealistas ou as traumatizam. Mas reconheço que uma boa escolha de quem as acompanha – como acontece com “MasterChef Júnior” – não só minimiza o drama das desilusões, como contribui para uma boa formação dos miúdos.

No episódio do último sábado, na TVI, uma criança induziu outra em erro para a prejudicar, na tentativa, desastrada, de se beneficiar a si própria. Não o fez por dom natural ou instinto malévolo, antes por ser esse o exemplo que colhe dos adultos e da vida quotidiana. É um erro compreensível aos 11 anos – aprende, Gonçalo!

Mas nada comove os anormais cuja existência se confina às redes sociais, que logo caíram em cima do rapaz, o que levou Manuel Luís Goucha – sempre atento, sempre pedagógico – a sair em defesa do concorrente. Já pouco me admiram as reações dessa gente, que ainda há dias criticara, com o ódio habitual, o diretor do zoo de Cincinnati que teve de mandar abater um gorila para salvar uma criança. Gostam mais de animais do que de pessoas e nem a ingenuidade infantil poupam. Regem-se pela lei da selva, não são humanos.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 4JUN16

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