Manuel Faria, o “herói” da corrida de São Silvestre

Recordei aqui, há poucos meses, Manuel Oliveira, quarto classificado nos 3.000 metros obstáculos dos JO de Tóquio, em 1964, e percursor dos feitos olímpicos que viriam a assinar atletas como Carlos Lopes, Rosa Mota ou Fernanda Ribeiro. Mas dez anos antes de Oliveira nascera Manuel Faria, o fundista que foi o verdadeiro pioneiro da era dourada de Lopes, Mamede e dos manos Castro. Foi ele o primeiro português a triunfar na célebre corrida de São Silvestre, que ocorria na própria noite de 31 de dezembro, em São Paulo, no Brasil, perante o entusiasmo de dezenas ou mesmo de centenas de milhares de pessoas.

Faria venceu a prova, então de 7,4 km, por duas vezes, em 1956 e 1957, o que depois de Baptista Pereira ter ganho a travessia a nado do canal da Mancha, em 1954, fez com que uma onda de entusiasmo voltasse a percorrer o país, que descobria assim que as conquistas desportivas podiam ir além dos clássicos êxitos no hóquei em patins. Mobilizados pela rádio e pelos jornais, os adeptos acorreram ao Aeroporto da Portela para receber em clima de euforia o vencedor da São Silvestre. Na Gazcidla, empresa onde trabalhava, o seu salário foi aumentado e recebeu uma gratificação. E na Assembleia Nacional o deputado Tito Arantes saudou Manuel Faria, na que seria talvez a mais relevante das inúmeras homenagens que recebeu.

Manuel Faria foi 13 vezes campeão nacional pelo Sporting e recordista dos 1.500, 3.000, 3.000 obstáculos, 5.000 e 10.000 metros. Morreu aos 73 anos, mais cedo ainda que o seu sucessor, Manuel Oliveira, que partiu aos 77, e que tentou também a sua sorte na São Silvestre paulista, entre 1961 e 1965, não tendo conseguido melhor que um 2.º lugar, em 1963.

Da locomotiva humana à recordista Rosa Mota

Criada em 1925, só a partir de 1953, quando a vitória sorriu ao tetracampeão olímpico checo, Emil Zatopek, a locomotiva humana, é que a corrida de São Silvestre de São Paulo, Brasil, subiu ao primeiro plano do atletismo internacional. Além de Manuel Faria, foi também ganha por Carlos Lopes, em 1982 e 1984, Rosa Mota, por seis vezes consecutivas – uma proeza única – entre 1981 e 1986, e ainda por Aurora Cunha, em 1988. São 11 triunfos para Portugal!

Parece que foi ontem, Sábado, 28DEZ17

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