Jorge Jesus, o Multiplicador

Mal foi conhecida a contratação de José Peseiro pelo Al Ahly – uma benesse dos deuses que poderá relançar a carreira do técnico – imprensa egípcia e adeptos torceram o nariz, já que Peseiro tem fama de “pé frio”, marcado como está (para sempre?) pela final da Liga Europa perdida pelo Sporting em Alvalade, há dez anos.

Poderia ter acontecido o mesmo com Jorge Jesus com aquele título que voou, em 2013, após o golo da vida de Kelvin e que fez o treinador ajoelhar-se no Dragão? Poderia, se ele não fosse peça de outra loiça. E quem tivesse dúvida da capacidade de Jesus para ter também sorte – que é algo que dá, ao contrário do que muitos julgam, imenso trabalho – ficou ontem esclarecido. O primeiro e o terceiro golos do Sporting, ambos resultantes de lances de puro infortúnio de Júlio César, só não foram decisivos porque houve outro – e que outro! – nascido de um cabeceamento superior de Slimani, plantado entre duas torres bem coladas ao chão.

A verdade é que o primeiro golo, de ressalto e logo aos 9 minutos, lançou demasiado cedo – para o Benfica, claro – os dados de um jogo em que Jesus juntou ao trabalho e à sorte um terceiro fator determinante e até agora exclusivo do seu homónimo da Galileia: o milagre da multiplicação. Não de peixes ou de pães, mas de jogadores. Na Luz, rara foi a transição encarnada que não esbarrasse, à frente da defesa, no muro constituído por William, Adrien e  João Mário, por vezes reforçado por Bryan Ruiz.

Rui Vitória enganou-se: eram mais de 11 jogadores do lado oposto. Chegaram a parecer-me 14 ou 15 e juro que não estou a contar com Carlos Xistra.

Canto direto, Record, 26OUT15

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