Guterres ainda anda por aí?

Não sei se António Guterres virá ou não a jogo nas presidenciais, mas se vier porque na ONU a vida não lhe correu como queria, arrisca-se a que o eleitorado reaja mal ao facto de não ter sido a primeira escolha.

Por outro lado, se o candidato preferido nas sondagens de há um mês fugir ao reencontro com o País, António Costa terá um problema de difícil solução, já que o substituto natural, António Vitorino – muitos Antónios há no PS –, não tem o mesmo carisma do antigo primeiro-ministro, pois não liderou um governo de benesses, nem faz um ar tão piedoso com os pobrezinhos. E anda a tratar da vida nos negócios em vez de se preocupar com as desgraças do Mundo e dos desperados.

Sem Guterres, as últimas sondagens dão, aliás, vantagem a Marcelo Rebelo de Sousa. Clara no caso de Vitorino, esmagadora se defrontasse – em Júpiter, que na Terra isso não será possível – Maria de Belém.

Essas eleições dependerão igualmente dos resultados das legislativas – uma vitória de Costa reforçaria Marcelo – e do final de mandato de Cavaco Silva, que promete ser penoso e levar a que a direita veja também afundar-se o seu candidato.

Muito girará o Planeta até que todos cenários se definam. E a dúvida que ficará ainda por meses é esta: resistirá Guterres à vaga de fundo que Costa terá de gerar para evitar a derrota em 2016? É capaz de não.

Observador, Sábado, 19FEV15

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