Global Media falha pagamento de salários

A Global Media falhou hoje o pagamento dos salários aos trabalhadores de JN, O Jogo, TSF e DN – ou ao que resta dele (vendas de 3 mil e 600 exemplares por semana em abril, segundo dados da APCT).

Como lhe competia, a Direção do Sindicato dos Jornalistas emitiu um comunicado em que condena a postura da administração do grupo, mas sem apontar, como é hábito, o rumo a seguir. O SJ só aceita o pleno emprego, propõe reuniões que nunca chegam a realizar-se – seria, aliás, tempo perdido num diálogo de surdos – porque as empresas ou abrem falência ou dispensam parte dos trabalhadores para salvar os salários da maioria e, neste caso, os títulos.

É verdade que a Global leva década e meia de vários tipos de gestão, muitas de assustadora incompetência e todas ruinosas. Do ponto de vista editorial, também não vale a pena falar, tantos foram os erros e os discursos de Santo António aos peixes.

Certo é que chegou a hora da verdade: não há dinheiro. Pagam os do costume, claro. Os que trabalhando melhor ou pior nada tiveram a ver com a forma suicida como se geriu um negócio que o SJ se limitou a acompanhar com pedidos de reuniões inúteis. Para agora, com mais ou menos lamúrias, acabar por ter de se conformar com o inevitável.

É este o teor do comunicado do Sindicato dos Jornalistas:

Administração do Global Media Group ignora trabalhadores e não paga salários a dia habitual

A Administração do Global Media Group tem ignorado os trabalhadores, recusando-se a prestar esclarecimentos quer ao Sindicato de Jornalistas (SJ) quer aos delegados sindicais sobre a degradação financeira das empresas de comunicação social que detém. Ao mesmo tempo, e pela primeira vez, os salários de junho não foram pagos no penúltimo/último dia útil do mês (consoante os bancos), como é habitual há anos.

Perante esta situação, não foi dada qualquer explicação/informação aos funcionários das empresas do grupo, o que revela uma quebra de confiança na relação que deve existir entre a Administração e os trabalhadores.

O SJ lamenta que, mais uma vez, a administração opte por ignorar os funcionários do universo do grupo.

Esta postura da administração, liderada por Daniel Proença de Carvalho, já não é nova. O SJ e os delegados sindicais de JN, DN, TSF e O Jogo têm vindo a solicitar reuniões com a administração desde o início de janeiro, face às notícias de estar a ser preparada uma reestruturação, que poderia implicar o despedimento de 100 a 200 trabalhadores. Nunca obteve resposta.

Simultaneamente, foram pedidas reuniões na sequência do agravamento de problemas de tesouraria, que levaram a atrasos no pagamento aos colaboradores, desde novembro passado. Nunca chegou uma resposta.

Este mês, os trabalhadores do GMG não receberam os seus salários nos dias em que habitualmente recebem. A situação é grave, tem implicações na vida de todos os que trabalham para as empresas do grupo e revela que a situação financeira do GMG está a deteriorar-se.

O SJ lamenta o silêncio por parte da administração e denuncia a sua falta de ética ao ignorar quem trabalha no grupo, não respondendo aos emails enviados nomeadamente um abaixo-assinado de 234 trabalhadores solicitando uma reunião entre a administração e os delegados sindicais de JN, DN, TSF e O Jogo.

A Direção

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