Feliciano Barreiras Duarte: humano e imperfeito

O caso de Feliciano Barreiras Duarte, exageradamente alvo de troça, como se o protagonista tivesse feito mais ou pior do que outros que por aí andam, apaparicados com salamaleques, é em muitos aspetos semelhante à tentativa de assassínio político de que foi alvo, há uma década, Ribau Esteves, outro ex-secretário-geral do PSD.
As redes sociais ainda não tinham a projeção de hoje mas nos media – e nos programas de graçolas – se a Luís Filipe Menezes não se dava descanso, Ribau Esteves era o clown.

Enganámo-nos na porta. Em 2008, Ribau refugiou-se em Ílhavo e foi reeleito presidente – pela quarta vez com maioria absoluta, em 2009. Em 2013, ganhou a CM de Aveiro, vitória que repetiu no ano passado, em ambas as eleições de novo com maioria absoluta. Seis ocasiões consecutivas escolhido por quem só se equivoca uma vez: um feito apenas ao alcance de um político de qualidade.

Admito que Feliciano Barreiras Duarte não pertença a essa estirpe, sendo apenas um ser humano imperfeito e igual à generalidade das pessoas. Como lembrou há dias, num debate televisivo, o deputado europeu Marinho e Pinto, se devassarem a vida de qualquer cidadão, haverá lá para trás sempre qualquer coisa que não correu bem. Pode ser um excesso de velocidade, a água cortada, um imposto calculado por baixo ou, nada mais havendo, até um terço que ficou por rezar… E tudo serve.

Observador, Sábado, 28MAR18

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