Cristina e Júlia: estrelas de papel

Esta semana, foram conhecidos dois insucessos editoriais ligados a vedetas da TV: a Impresa salvou Júlia Pinheiro de fechar o projeto digital “Júlia – de bem com a vida” e Cristina Ferreira vê chegar ao fim a revista “Cristina”.

A aposta de Júlia poderia ter resultado sem o apoio do seu grupo de média porque na internet nunca se sabe o que vai viver e o que vai morrer. Já o êxito no arranque da “Cristina” toldou uma evidência: o público da apresentadora da TVI não gasta 3 euros numa publicação, nem sente apelo por aquele tipo de conteúdos. Minimizou-se a importância do “target” e ter aguentado a revista durante dois anos foi um milagre.

Procurou-se, com a autopromoção, disfarçar o erro. De elogios exagerados a notícias de segundas edições retumbantes houve de tudo. Mas quando a APCT revelava que para vender 30 mil exemplares se imprimiam 80 mil – como sucedeu em maio e junho de 2016 – sabia-se que um dia o dinheiro iria faltar.

Cristina é popular, mas não é Oprah, não tem milhões nem os movimenta. Excelente na comunicação, percebe pouco do negócio do papel. Ela e, afinal, todos os que julgávamos perceber alguma coisa. O mercado português é diminuto e o Mundo baralha-nos ao girar depressa demais.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 4FEV17

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