Um país que parece um hospício

Ao cabo de meses de pesadelo, o secretário de Estado dos Incêndios baqueou. O seu conselho para sermos proativos e não ficarmos à espera dos bombeiros – nós que pensávamos que podíamos dormir a sesta e deixar arder a casa à vontade… – é definitivo: o homem ensandeceu.

É natural porque o país se transformou num hospício. As armas roubadas de Tancos apareceram, de repente e certamente por acaso, no meio do mato, poucos dias depois de Rui Rio garantir que o PSD nunca foi de direita – e de um dos seus adjuntos jurar até que ele, Rio, é um político de centro-esquerda – ou de a administração da Soflusa, que permitiu a inutilização de parte da frota, pedir aos passageiros para não andarem nos barcos às horas de ponta, como se quem vai trabalhar tivesse a possibilidade de escolher o horário laboral.

Por outro lado, a época balnear acabou pelo calendário, a 30 de setembro, com milhares de pessoas a correrem riscos em praias sem vigilância, e a fase Charlie de combate aos fogos emagreceu também antes de tempo, com uma redução de meios assassina.

Já na noite das autárquicas, jornalistas e comentadores tinham arengado em torno de uma percentagem de abstenção de 45%, contando com 9,5 milhões de eleitores, quando bastaria uma consulta aos dados da Pordata para contestar os números: não há mais de 8,5 milhões de portugueses com 18 anos ou acima disso, pelo que a abstenção foi bastante inferior à que se deu por boa – e assunto arrumado.

Ninguém se rala com nada, qualquer coisa serve. Tempo de doidos, este.

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