Entrevista nos 60 anos de Record (Parte 4)

A recusa do protagonismo e as entrevistas

RECORD – Por que aceitou fazer esta entrevista?
AP – Porque o Nuno Farinha teve a ideia e vocês os cinco se puseram a perguntar… Mas também porque outras entrevistas que tínhamos programado, e que seriam seguramente mais interessantes, falharam quase em cima da hora. Não acredito no jornalista-protagonista, nunca vou à televisão, não gosto de exercícios de cabotinismo. Enfim, é uma vez na vida.

RECORD -Quais foram as entrevistas que falharam?
AP – Não vou especificar, eram entrevistas institucionais, com figuras institucionais. Mas como os jornalistas de Record têm opinião e nem sempre essa opinião agrada, suas excelências retaliaram. As exceções foram o senhor presidente da República, e o presidente Jorge Sampaio, que tiveram a gentileza de dirigir mensagens ao jornal e aos seus leitores, o que muito lhes agradeço.

RECORD – Esta será a sua última etapa profissional?
AP – Gostaria que não fosse, mas a crise na imprensa veio reduzir o meu prazo de validade, que ficou bem mais curto. Assim, tudo se resume a uma questão de tempo e a três vontades: a de Deus, a do acionista e a minha. O primeiro que falar, faz como o Liedson: resolve. Poderei morrer em combate, é verdade, mas não irei arrastar-me. Trata-se da situação clássica: saber parar antes que alguém o faça por nós.

Alejandro Scopelli e Sá Carneiro

RECORD – Qual a entrevista que mais gozo lhe deu fazer?
AP – A do Alejandro Scopelli, para o “Diário de Lisboa”, em 1972. Era uma personalidade fascinante, um conhecedor de futebol como terá havido poucos. Eu usava o cabelo comprido e ele, que gostava de mim, embirrava com o “pêlo”, como ele dizia. Com o meu e mais com o do Quinito, que jogava nessa altura no Belenenses, o clube que ele treinava. Lembro-me muitas vezes dele, se fosse hoje vivo iria adorar os nossos atuais penteados, pois o do Quinito é igual ao meu… Mas também gostei de entrevistar o Kruz Abecasis, para o n.º 1 do “Off-Side”, o José Nuno Martins, para o n.º 1 da “Élan”, e o Filipe La Féria, para o “24 Horas”.

RECORD – E a notícia que gostaria de nunca ter escrito?
AP – A da morte de Sá Carneiro, quando eu estava no “Portugal Hoje”. Foi um horror.

Autores: ARTUR AGOSTINHO, ANTÓNIO MAGALHÃES, ANTÓNIO VARELA, JORGE BARBOSA e SOFIA LOBATO
Data: Quinta-Feira, 26 Novembro de 2009

No dia da entrevista a Scopelli, no Jamor, 1972

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