Em parágrafos – 1

1. Esta
perturbação dos papás que sonham com filhos perfeitos e ricos – e que possam
enriquecê-los também a eles – tanto se manifesta nos que querem fazer dos
meninos futebolistas à força como nos que os encaminham para a facilidade da
fama televisiva. Em ambos os casos, um triste destino espera 99% dos candidatos
a estrelas que ficam pelo caminho. Mas levar a mania até ao bisturi para tentar
corrigir a genética ou o excesso de comida de plástico com que os empanturraram
em crianças já é para a psiquiatria, é de gente doida.

2. O professor
Marcelo continua a ser corrosivo para o Governo. De uma assentada, na sua
última intervenção na TVI, esqueceu-se do nome de Poiares Maduro e revelou que
o secretário de Estado adjunto do ministro adjunto do primeiro-ministro
adjunto, Pedro Lomba, é conhecido por Pedro Tomba, já que colega de função que
lhe apareça ao lado nas conferências de imprensa tem o tombo garantido. Já
agora: se o Executivo retomar os briefings ou arranjar outra vez um porta-voz,
que escolha alguém que não tenha a cremalheira podre, ou seja, que não tombe
mal abre a boca.

3. Fortes com os
fracos, os mandatários da troika lá tiraram da cartola mais um corte nas
pensões, agora nas da Caixa Geral de Aposentações, para depois, como parece
claro, vir novo ataque às outras. Fiel ao seu princípio suicida de deixar
recorrentemente rabos de palha pelo caminho, o Governo vai permitir que
diversas exceções destruam qualquer ideia de equidade – em relação aos
reformados do regime geral – que pudesse existir em mais esse roubo. Não
aprendem.

4. Vejamos o caso
de um aposentado, de 95 anos e só neste mundo, com 1400 euros de luxuosa pensão
que é entregue, na totalidade, ao lar que o acolhe. Como irá passar a receber
1260 euros, restam-lhe duas boas hipóteses: ir dormir para a estrada ou
regressar ao mercado de trabalho. Chegámos a isto.

5. Mal Pais Jorge
se demitiu, logo a comunicação social encontrou um novo alvo, Rui Machete, cuja
escolha para ministro foi mais um sinal da incrível inabilidade política
daqueles a quem entregámos o País. E as explicações dadas pelo visado – ainda
não perceberam que quanto mais falam mais se enterram – foram de uma tibieza
confrangedora. Estava tão bem na sua casinha.

6. Como deixei de
ter uma coluna sobre futebol, destaco aqui o demorado abraço que Cristiano
Ronaldo, sempre tão criticado, aceitou de um fã anónimo, em pleno relvado, o
que prova que a maturidade lhe trouxe qualidade. E sublinho igualmente o
desempenho de outro mal-amado, Ricardo Carvalho, titular do ambicioso Mónaco,
na vitória em Bordéus, e que jogou a alto nível. Aos 35 anos, a velha história
– haja talento e nunca é tarde.

Observador, publicado na edição impressa da Sábado de 15 agosto 2013. Tema de Sociedade da semana: operações plásticas nos jovens

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