A 4 de março vão ser 10 a 0

Passei ontem junto ao Estádio José Alvalade e tive a agradável surpresa de ver derrubado o tapume que existia há anos nuns terrenos contíguos e de poder observar, enfim, a “obra de regime” de Bruno de Carvalho: o Pavilhão João Rocha, uma velha aspiração das modalidades sportinguistas.

Lembrei-me logo, claro, da polémica em torno de Fernando Medina, que teve de escolher entre deixar partes da capital a apodrecer e ser apontado pelo desleixo, ou encher meia Lisboa de estaleiros e ser desancado por isso. Mas é sempre melhor errar, fazendo, do que acertar por nada ter feito.

Podemos olhar do mesmo modo para o presidente do Sporting, um homem imperfeito e tantas vezes insuportável, que preferiu apresentar-se a eleições com obra, sendo que a inauguração do novo polidesportivo constituirá apenas o terceiro vértice do triângulo que marca o seu mandato, após a redução da dívida e o saneamento financeiro, e a contratação de Jorge Jesus.

E se a questão do dinheiro e do pavilhão são trunfos indiscutíveis, a do treinador é posta em causa a cada insucesso, como se no futebol se ganhasse com desejos, farroncas ou passes de magia e não houvesse que dar tempo ao tempo. E tempo é o que se tenta que presidente e treinador não tenham, por ser esse o caminho que mais convém aos adversários de ambos. Mas não alimentem ilusões: se os dados forem os que estão hoje sobre a mesa, a 4 de março vão ser dez a zero.

Canto direto, 30JAN17

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