E tudo o Benfica desperdiçou

Foram precisas décadas para que os iluminados que mandam no futebol europeu entendessem o prejuízo que é, para os adeptos e para o negócio, a transmissão de grandes jogos no mesmo horário, situação que será revista na próxima época. É pena que outra inteligência não resolva o “drama” do telespectador português, que teve ontem, mal Artur Soares Dias fechou a loja na Luz, de começar a ver o Real Madrid, passar 15 minutos após pelo PSG-Mónaco, e deixar os dois para seguir o dérbi lisboeta. E jantar? Isso só lá para as 10 e meia da noite, findo o sofrimento de maratonista.

Pior, certamente, foi a desilusão benfiquista no final de um confronto que pode ter sido decisivo… para a perda do título. Primeiro porque os encarnados jogaram pouco, em boa verdade há já semanas que disfarçam alguma subprodução, nunca mais apresentaram, por exemplo, o impressionante caudal ofensivo que os conduziu ao tetra. A seguir porque também lhes faltou sorte e jeito. Sorte porque Jonas, o homem que faz a diferença, não recuperou, ao contrário de Marega, que chegou a tempo do clássico para devolver ao FC Porto – agora que baixou o rendimento de Aboubakar – a poderosa dinâmica atacante que abana qualquer defesa. E jeito porque Rui Vitória apostou demasiado na contenção e no conforto do empate, e falhou nas substituições, o oposto do que sucedeu a Sérgio Conceição. Com as mudanças, os dragões melhoraram e o Benfica não só piorou – aquela saída de Rafa… – como terminou até o desafio no caos: meio-campo em pantanas e bolas despejadas para a frente. Mas a equipa da Luz pode ainda queixar-se da arbitragem, menos pelo penálti não assinalado, que não é claro, e mais pelos diversos erros de Artur Soares Dias no capítulo disciplinar – o mais evidente, o “perdão” do segundo amarelo e a consequente expulsão de Sérgio Oliveira.

Dito isto, a realidade é que o Benfica passa da luta direta pelo título – e terá de recuperar agora três pontos para o alcançar – a ter de disputar igualmente o segundo lugar com o Sporting, pelo que uma derrota em Alvalade poderá afastar os encarnados da Champions. Quem o diria há uma semana?

Também poucos previram o excelente jogo que tivemos no Restelo, com o Belenenses de novo a surpreender, pelo futebol que apresentou e pela repetição do atraso na entrada em campo – que macacada será aquela? – e o Sporting a sofrer muito para ganhar e se manter à tona, com a prestimosa colaboração da encomenda habitual, que ontem fez de VAR e não viu que o lance do terceiro golo dos leões foi precedido de falta.

O último parágrafo de hoje fica-se, aliás, por Alvalade, para sublinhar que o presidente “acabado” esteve no sábado a ver o andebol leonino mas não foi ao Restelo porque “não quis”. Ou seja, continua amuado com os “meninos mimados”, pelo que a tragicomédia irá prosseguir. O probleminha é que se tem esbatido de forma drástica, nos derradeiros dias, o entusiasmo daqueles que davam o líder como morto e enterrado. Terá algo a ver com a necessidade de dar o corpo ao manifesto na próxima assembleia-geral e a euforia pós-Madrid se esfumar a cada dia? Tirando os cangalheiros do costume, onde param os bravos?

Outra vez segunda-feira, Record, 16ABR18

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