E Sérgio Conceição ficou sem dinheiro para o jantar

Depois da exagerada comemoração do golo da vitória do FC Porto sobre o Boavista, Sérgio Conceição foi multado em 765 euros – vai ter de pedir dinheiro emprestado para o jantar. Claro que não se condena nem a reação efusiva do treinador ao êxito suado, nem o palavrão, infelizmente típico da gente do futebol… e dos jornalistas. O que está em causa é, sim, a feia provocação ao adversário, que sempre se deve honrar na hora em que se sai por cima. É a ausência de “fair play” de Sérgio que dói, até por vir de alguém que revela, no seu “outro lado”, qualidades incomuns entre pares. Nos países onde se trata do futebol a sério, como em Inglaterra, essa falta de desportivismo é punida com dureza. Jurgen Klopp, que festejou com espalhafato o golo do triunfo do Liverpool sobre o Everton, sem humilhar o opositor – abraçou até Marco Silva – irá pagar uma multa de… 9 mil euros! Ou seja, terá de se endividar se quiser ir de férias.

A propósito de FC Porto: adensou-se ontem um mistério na minha cabeça. Por que motivo Quintero não vingou no Dragão? Que craque!

Custou ao Benfica levar de vencida o V. Setúbal, que tanto poderia ter perdido por 2-0 como empatado quase no final, não fora a excecional defesa de Vlachodimos. Os sadinos, que estão a fazer a melhor época dos últimos anos, jogaram à imagem do seu treinador, Lito “Simeone” Vidigal, um homem pragmático que sabia que só a pressão sobre a bola – e sobre o mais que andasse por perto, é verdade… – conseguiria que uma equipa muito superior, mas intranquila nesta fase, sentisse dificuldades.

Marcel Keizer tem marcado pontos na postura. Sem poses de superioridade, rigoroso no trabalho e afável no trato, pelo que se sabe, e com um discurso esclarecido e prudente, o técnico holandês dá, para já, a imagem de serenidade e pragmatismo de que o Sporting precisava.

Referi aqui há duas semanas a quebra de rendimento do Wolverhampton e o perigo que rondava Nuno Espírito Santo e a “armada” portuguesa. Pois com a vitória sobre o Chelsea, e agora com o 1-2 em St. James Park, o Wolves voltou à primeira metade da tabela na Premier e o sol brilha de novo para a nossa gente. Mas uma palavra de gratidão é devida a Rafa Benítez, técnico do Newcastle, que, como diz um amigo meu, nunca nos falha.

Cristiano Ronaldo perdeu, como se esperava, a Bola de Ouro, o que levou a um coro de protestos dos seus fiéis, tendo-se lido e ouvido termos como “mafia”, “vergonha” ou “corrupção”. Trata-se, obviamente, de um exagero porque a eleição não resultou do conluio de uma dúzia de senhores engravatados, sentados à lareira numa estância dos Alpes, mas da votação de jornalistas de 180 países, que fizeram as escolhas que entenderam. E tirando o caso de um voto supostamente oriundo das Comores, não existe notícia de qualquer outra vigarice. Por estes dias, estava a ver o Joaquim Rita a analisar um jogo, na televisão, e a imaginá-lo, ao cabo de uma carreira à prova de bala, a receber instruções do rei dos conspiradores para condicionar o seu voto… Quando a inteligência falta, que se proteja ao menos o bom senso!

O último parágrafo de hoje é já um clássico porque recupera um dos meus protagonistas de eleição, Ronnie O’Sullivan, que ontem, em York, Inglaterra, conquistou o seu sétimo UK Championship de snooker – um recorde. “The Rocket” repetiu a vitória do ano passado num torneio que ganhou pela primeira vez em 1993… há 25 anos! Como se diria em Espanha: toda uma lenda.

Outra vez segunda-feira, Record, 10DEZ18

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