É preciso muito estômago para ser polícia

Referi aqui, há uma semana, a absolvição da mulher que insultou agentes da PSP que o próprio tribunal reconheceu terem sido “ofendidos”. Há que ter em conta, é certo, a cultura de “brandos costumes” que leva a que os nossos polícias não recorram a métodos drásticos como os dos norte-americanos, que algemam os presumíveis delinquentes mal os abordam. Ou como os dos brasileiros – que podemos seguir na Netflix, na inquietante série “P.O.L.Í.C.I.A” – que saem das viaturas com pistolas e metralhadoras prontas a disparar.

Mas nem oito, nem 80, ainda que a criminalidade seja agora mais atrevida que em tempos idos. Há dias, acompanhei na CMTV uma nova e excelente reportagem de “Ação real”, que sempre confirma haver quem zele pelo cumprimento da lei enquanto a cidade dorme. Só que vi aquilo em que não queria acreditar: uns indivíduos a saírem do carro que a PSP mandara parar e a dirigirem-se aos agentes de forma grosseira, aos gritos, esbracejando e movimentando-se, a despropósito, de um lado para outro. Que tolerância é esta?

Calcula-se que os energúmenos andem a par das notícias: sabem que se forem hoje detidos, amanhã poderão voltar ao serviço. É (mesmo) preciso muito estômago para ser polícia.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 9JUN18

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