Dois dias de loucos

A Operação Zeus, desencadeada a semana passada pela PJ e pela sua congénere da tropa não só permitiu deter seis suspeitos de um dos mais velhos pecados cá da terra – desde sempre que o sargento despenseiro teve fama de construir a sua vivendazinha – como provocou uma inveja dos diabos nas outras polícias.

Logo na segunda-feira, acordámos com a notícia de que 250 militares da GNR levaram a cabo 21 buscas domiciliárias no distrito de Setúbal, de que resultaram 13 detenções relacionadas com o roubo de cortiça. E de seguida veio a Polícia Marítima dar conta da apreensão de meio milhão de cigarros de contrabando e da prisão de cinco pessoas. Tudo com responsáveis pelas intervenções a darem a cara na TV.

Mas na terça-feira o contra-ataque da PJ foi demolidor, com a detenção de 20 skinheads acusados de vários crimes, de mais um dos assaltantes do supermercado do Barreiro, e de três guardas-prisionais da cadeia de Leiria – um deles o chefe! – supostamente envolvidos em negociatas com reclusos. E Pedro Dias, claro, fechou a jornada com chave de ouro.

É bom para o cidadão indefeso esta sucessão de ações policiais em apenas 48 horas? É ótimo, embora, a continuar assim, se levante uma dúvida: haverá cadeias que cheguem?

Antena paranoica, Correio da Manhã, 12NOV16

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