Dois casos de desafio à autoridade do Estado

A semana foi dominada na TV pela exposição das cruéis consequências da paralisação dos enfermeiros e por mais um crime horrendo, o assassínio de avó e neta – dois casos de desafio à autoridade do Estado.

A “greve cirúrgica” há muito que merecia resposta firme do Governo, pois mais importante do que o tantas vezes sublinhado “inalienável direito” dos profissionais de enfermagem a pararem é o sempre esquecido – e não menos inalienável – direito dos doentes a serem tratados. Desde que se iniciou o conflito, quantos pacientes morreram ou virão a morrer por não lhes ter sido prestada assistência no tempo adequado?

Estando já referenciado o agressor, os homicídios do Seixal constituem novo e desgraçado exemplo da descoordenação entre polícias, Proteção de Menores, MP e tribunais de Família, todos muito ufanos da sua quinta e pouco incomodados com a ineficácia geral. E junto-lhes ainda o legislador-banana e juízes como os do coletivo que há dias condenou, não a 25 mas a 16 anos de cadeia, um energúmeno que matou a mulher, segundo a douta sentença “de forma voluntária e com frieza, dolo intenso e consciência dos factos”. Maravilhosas “atenuantes” que lhe permitirão, em 13 anos, voltar a ser útil à sociedade.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 9fev19

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