Deu-se a Svilar o que se negou a Bruno Varela

Os especialistas estão divididos. Os mais ligados ao futebol torcem o nariz à prematura aposta de Rui Vitória no guarda-redes Svilar, lançado aos 18 anos e 52 dias num jogo da Champions com um resultado desportivo desastroso – e a perda de 1 ponto que pode vir a fazer falta ao Benfica para aceder à Liga Europa. Ou seja, as consequências do falhanço do jovem talento estão ainda por apurar.

Os que se baseiam mais na psicologia defendem Svilar, e são, curiosamente, muitos dos que não mexeram uma palha para justificar Bruno Varela, cujo lapso foi menos chocante, já que se deu na sequência de um remate difícil de suster. Mais chocante foi, sim, a sentença: de titular passou a terceira opção para a baliza encarnada. Longe de mim pensar que esse ostracismo por parte de tantas boas almas tenha algo a ver com o facto de Varela ser português e menos ainda por o sol o ter queimado muito nas idas à praia. Não, nós por cá nunca temos dessas torpezas.

Os defensores da segunda oportunidade para o sérvio-belga falam da necessidade de que ele aprenda com os erros e da sua qualidade técnica – à boleia de José Mourinho, já que da matéria pouco entendem –, aplaudindo a decisão de Rui Vitória de o manter no onze inicial. Aliás, o treinador tem mostrado, nestes anos, dispor também de méritos como psicólogo e condutor de homens, e só lhe fica bem a confiança que renovou a Svilar. O que não lhe ficou nada bem, e é como seu admirador que o critico, foi não ter tido a mesma atitude com Bruno Varela, que como aqui admiti, antes do seu infortúnio, pode simplesmente estar perdido como guarda-redes de primeira linha. Ou tem uma cabeça dura, parecida com as de Carlos Lopes ou Cristiano Ronaldo, ou está arrumado.

Nos quase 15 anos que levo de escrita no Record, já por diversas vezes referi o caso de Rui Correia, que foi dono da baliza do Sporting, com 20 anos, no final da década de 80. Elogiado por todos como “o guarda-redes do futuro”, alinhou em pouco mais de uma dezena de jogos e – acabando por falhar, vítima da sua inexperiência – caiu em desgraça por não ter tido, na altura, um Rui Vitória para lhe pôr, como ao borracho, a mão por baixo. Ainda fez um percurso interessante no Sp. Braga e chegou ao FC Porto, mas nunca mais atingiu o nível dos primeiros desafios em Alvalade. E quanto a Svilar, veremos o que acontecerá ao dar-se o inevitável: o seu próximo erro penalizador.

O último parágrafo vai hoje para Rolando, o patinho feio dos centrais portugueses, que confirma no Marselha ter passado ao lado da grande carreira que merecia. Ontem, vimo-lo enfrentar com êxito a todo-poderosa linha avançada com que o PSG pensava ir ganhar os jogos todos. E só o génio de Cavani evitou, quase no final, a derrota parisiense no Vélodrome. Mas o empate também serve a Jardim, Moutinho e Rony, agora de novo mais perto do PSG no topo da classificação. Vá lá, agradeçam ao Rolando.

Outra vez segunda-feira, Record, 23OUT17

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