Desapareceu o pioneiro da glória olímpica

O nome de Manuel de Oliveira, desaparecido há dias, na véspera de completar 77 anos, já dizia pouco aos mais jovens e aos mais desmemoriados. Mas ele foi um atleta de eleição, não o primeiro fundista ou meio-fundista a alcançar êxitos internacionais – como vi escrito algures – mas o primeiro a andar perto da glória olímpica, ao chegar em 4.º lugar na final dos 3.000 metros com obstáculos, nos Jogos de Tóquio, no outono de 1964.

Por essa altura, o futebol português andava nas nuvens, vivia-se ainda a euforia do duplo triunfo do Benfica na Taça dos Campeões Europeus, no início da década, e a recentíssima conquista da Taça das Taças pelo Sporting, meses antes. Momento propício para essa primeira chamada de atenção – que Manuel de Oliveira interpretou – para o facto de podermos, também no atletismo, ombrear com os melhores, mesmo a nível olímpico. E assim se abriu o caminho para os êxitos que se seguiram, pelo que se pode afirmar que a carreira de Oliveira, nos anos 60, constituiu um forte incentivo para o percurso vitorioso de Carlos Lopes e de muitos mais.

Mas se é justo lembrar Manuel de Oliveira, injusto seria não sublinhar que ele beneficiou também do exemplo de outro grande fundista do Sporting, Manuel Faria, o rei da década de 50. A ele voltarei um dia destes.

Parece que foi ontem, Sábado, 26OUT17

Os comentários estão fechados.