Depois não se queixem

A última segunda-feira, dia do rescaldo da festa de domingo do PSD – ainda sob o efeito de mais um discurso duro de Passos Coelho – não podia ter corrido pior para o ex-primeiro-ministro.
Começou com a sondagem do Correio da Manhã, que dá o PS já com 8,5% de avanço nas intenções de voto, sobre o PSD, e António Costa com 25,2% (!) de vantagem sobre o antecessor, na confiança para PM.
A explicação parece óbvia. Costa devolveu rendimentos que Passos cortou e este pretende voltar ao poder com o regresso ao passado como programa. E não será assim que lá vai – pelo que mostram as sondagens – pois só entre funcionários públicos e pensionistas ameaçados de novos rombos há mais de 4 milhões de votos.
Mas a prédica do Chão da Lagoa, com frases como “depois não se queixem”, dirigidas ao Governo – assumindo dores da Comissão Europeia e justificando umas sanções que irão atingir não Costa mas todos os portugueses – sofreu um segundo revés: os dados da execução orçamental revelados pelo Ministério das Finanças mostram que o défice público ficou, no primeiro semestre, praticamente em linha com o OE de 2016.
Com esta estratégia, ainda cai a oposição antes de cair a geringonça.
Observador, Sábado, 28JUL16
Nota – Escrevi esta crónica antes de ser conhecida a decisão da Comissão Europeia de atribuir sanção zero a Portugal por incumprimento do défice de 2015, da responsabilidade de Passos Coelho, mas que ele tentava transformar – dando a multa como certa – numa séria advertência ao Governo e aos seus aliados, por seguirem uma orientação política “errada”. E daí o “depois não se queixem”. Foi a terceira má notícia da semana para o antigo primeiro-ministro.
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