Da Luz a Alvalade: da justiça ao regresso ao mapa

Com mais dois pontos que o Sporting na hora de fazer as contas – o que significa que foi mais regular ao longo do campeonato – só podemos concluir que o Benfica é campeão nacional com toda a justiça. Pessoalmente, como é sabido, tanto se me dava, embora deva reconhecer que sinto alguma alegria por esta conquista encarnada, tendo em consideração um único ângulo de abordagem: o que respeita ao sofrimento de Rui Vitória.

Quando o Benfica estava a 7 pontos do Sporting e com a liga julgada perdida – não pelo treinador, mas por nós – ele teve de ler e ouvir tudo o que passou pelas iluminadas cabeças dos comentadores. Eu, por exemplo, escrevi que ele tinha uma aura de “loser”. Era mentira, como se viu.

Depois, há uma qualidade que aprecio em Vitória: a sua simplicidade. Se a evolução como técnico está à vista de todos, de igual modo é patente que mantém a velha bonomia, agora que era fácil encher o peito de vento e abusar de postas de pescada. E num “circo” futebolístico carregado de pavões!

Parte do êxito benfiquista, há que sublinhá-lo, resultou do toque a reunir provocado pelo equívoco da comunicação do Sporting, pese os momentos em que teve motivos e razão. Mas os erros servem para que sejamos mais fortes no futuro e a realidade leonina deve ser vista tanto à luz da recuperação financeira como do regresso do emblema de Alvalade ao mapa dos grandes duelos futebolísticos, à dimensão do seu jogo, ao reequilíbrio do plantel – nesta altura, para mim o melhor – e à identificação entre presidente e treinador. Falhou agora o Sporting? Não é o fim: os perdedores de hoje são os vencedores de amanhã.

Canto direto, Record, 16MAI16

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