Da egomania de Cristiano a Zidane e aos egos ocos no Sporting

A primeira semana do divórcio de Cristiano Ronaldo com o Real Madrid foi fértil em apoios ao jogador e críticas a Florentino Pérez, não faltando também o fel largado pelos muitos inimigos de CR7, que aproveitaram o que consideram uma oportunidade: pode ser que desta vez lhe corra mal. Pela minha parte, mantenho a ideia de que se tratou de um erro, cometido em simultâneo pelo craque e pelo emblema merengue, que se separaram talvez por motivos diversos mas seguramente por um: Cristiano e Florentino perderam a paciência um com o outro e resumiram as divergências a uma questão de egos.

Das opiniões entretanto publicadas, destacaria duas, a primeira “a favor” de Cristiano, a de Ramón Calderón, antigo presidente “blanco”, que em entrevista à “Gazzetta dello Sport” preconizou o êxito do jogador na Juve e deixou um aviso ao líder atual: “Florentino vai pagar por este erro”. A outra é de Júlian Ruiz, jornalista que se distingue pela aversão ao português. Num artigo de contornos literários, no “El Mundo”, o plumitivo revela que Mandzukic já terá dito que “por 30 milhões que corra ele (CR7)” e vaticina que muito em breve o ex-madridista, que cometeu, segundo Ruiz, um “grave erro de egomania”, se queixará “que não se sente querido” em Turim. E acrescenta que Cristiano, a quem chama “Superman Narciso”, não poderá ser salvo por “esse Mendes que negoceia com o diabo” porque “perdeu velocidade, raciocínio e frescura”. Um recital completo!

Não me quero confundir com escribas fanáticos, apesar de concordar que o tempo não perdoa e que Cristiano perdeu qualidades – tendo ganho outras – e que não se irá dar bem num futebol menor, em que se joga antes de mais para não perder. Mas em oposição à tese da egomania, admito como provável a teoria da conspiração elaborada por alguns defensores da mudança, que a veem, mesmo, como concertada com Zidane. É que o técnico e Cristiano – que não passaram sem discutir o tema, isso parece óbvio – terão concluído que o Real Madrid chegou ao fim de um ciclo, que contratações excêntricas, como a de Neymar, seriam um pesadelo, e que depois de ganhar três Champions consecutivas tudo só poderia vir a correr pior. Teremos de esperar, mas se dentro de um ano, ou antes, Zidane for treinar a Juventus, então se confirmará que a deserção foi um ato estratégico executado a dois.

A cada dia, surge mais um candidato a presidente do Sporting, o que faz o demitido alimentar a esperança – será que… Alguns dos nomes anunciados são de rapaziada de dois por cento, outros não irão além dos 10, pelo que o novo líder poderá ser eleito com 20 e tal por cento dos votos, uma tragédia. Há pessoas que não aprendem com a desgraça e põem à frente do futuro do clube os seus egos ocos mas descomunais.

O último parágrafo vai para os comentadores dos “diretos” do Mundial cujo trabalho mais apreciei – Luís Freitas Lobo, Pedro Henriques, António Tadeia e João Rosado. E ainda para a memória de dois grandes que nos deixaram: a atriz Laura Soveral, uma mulher muito à frente do seu tempo e com quem tive o privilégio de privar na rádio, nos anos 60 (ah, pois é…) e para o mergulhador tailandês Saman Kunan, o voluntário que deu a vida pelo sucesso do titânico resgate dos jovens bloqueados na gruta de Tham Luang. Chapeau!

Outra vez segunda-feira, Record, 16JUL18

Ora, cá está.

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