CR7, Messi ou Pep: como somos felizes quando eles perdem!

Tem sido horrível ver o que os detratores de Lionel Messi dele têm dito depois do inacreditável afastamento do Barcelona da Liga dos Campeões. Como se o futebolista mais talentoso do Mundo, um génio, pudesse ganhar os jogos sozinho! E não importa que o craque argentino não só não precise de provar mais nada como tenha sido o melhor do Barça em Liverpool. A exemplo, aliás, do que sucedera na primeira mão, em Camp Nou, onde a turma de Klopp rubricara uma atuação superior a que só faltaram os golos – mas não os de Messi, que lhes meteu logo dois.

Acontecera o mesmo no esgoto dos canais sociais, que visaram Cristiano Ronaldo após a eliminação da Juventus pelo Ajax, como se o maior competidor futebolístico do Planeta, outro génio, pudesse ganhar os jogos sozinho! E não importa que o craque da Madeira não só não precise de provar mais nada, como tenha assinado, há poucas semanas, a exibição de luxo que levou a Juve a apear o Atlético de Madrid. Ou tivesse apontado também os dois golos, os únicos da sua equipa, aos holandeses.

Esta semana, no Twitter, alguém referia precisamente isso: a sanha brutal com que os insucessos pontuais de Messi ou de Cristiano, como os de Pep Guardiola, são aproveitados – ui, quanta felicidade, então, tem proporcionado José Mourinho a essa gentalha! Como se aquilo que conquistaram antes pouco valesse, como se colocar-lhes um rótulo de “acabados” os retirasse da história do futebol… E mais ainda: como se, perdendo eles enfim alguma vez, isso pudesse modificar as vidas de frustração dos tristes que os odeiam.

Contrariamente, os êxitos dos vencedores de ocasião apresentam-se como proezas fantásticas, tão grandes que a maior parte delas nunca se repetirá. É a estupidez total global com que, desgraçadamente, temos de viver.

Curiosa a trajetória “portuguesa” de Fabinho, o brasileiro de 25 anos, do Liverpool, que “limpou” o meio campo em Anfield, na terça-feira, e contribuiu decisivamente para a qualificação dos ingleses. Há sete anos, veio do Fluminense para o Rio Ave, que o emprestou ao Real Madrid a fim de jogar no satélite Castilla. Convocado por José Mourinho para castigar Pepe – que defendera Iker Casillas – estreou-se na equipa principal dos merengues em maio de 2013, entrando a substituir Fábio Coentrão. Cedido a seguir ao Mónaco, que viria a adquirir o seu passe em 2015, lá encontrou outro português, Leonardo Jardim, que o valorizou de tal modo que, há um ano, o Liverpool pagou por ele 45 milhões de euros. História de sonho.

Uma goleada ao Sp. Braga a vincar o excelente final de época do Boavista e a confirmar a capacidade de Lito Vidigal como treinador e condutor de homens. Igualmente magnífico o empate do Everton, de Marco Silva, no New Stadium, de Londres, que fez o Tottenham cair do terceiro para o quarto lugar da Premier. Já o Bordéus, de Paulo Sousa, somou a quinta derrota consecutiva na Ligue 1. No futebol, os resultados explicam quase tudo.

O último parágrafo vai para Novak Djokovic, que ontem venceu o Masters de Madrid derrotando sucessivamente o austríaco Dominic Thiem, de 25 anos – que afastara Roger Federer – e o grego Stefano Tsitsipas, de 20, recente vencedor do Estoril Open – que eliminara Rafael Nadal. O tenista sérvio, número um mundial, parece ser, assim, o derradeiro obstáculo da “velha guarda” ao início da conquista de torneios do Grand Slam pela nova geração. O que nos trará Roland Garros? E Roma, que é já a seguir?

Outra vez segunda-feira, Record, 13mai19

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