Conseguirá Nani voltar a ser o que foi?

Se é difícil chegar ao topo de qualquer carreira e fácil vir por aí abaixo, muito mais complicado é fazer de novo a viagem para alcançar o que foi o nosso lugar ao sol. Pode dizer-se que Nani teve sucesso no seu percurso – jogou no MU e foi 112 vezes internacional – e que chegou a ser comparado a Cristiano Ronaldo. Já em fase descendente de rendimento, atuou com êxito no Sporting, em 2014-15, o que não o impediu de partir para um ano irrelevante na Turquia e uma época cinzenta no Valência. E para o desastre na Lazio – que o fez perder o Mundial. Em boa hora regressou a Alvalade, onde é querido e pode ser feliz, retornar à Seleção e retirar-se, um dia, como símbolo dos leões. Para já, o capitão parece ter recuperado o seu futebol e a alegria de jogar. Os dois golos de sábado, plenos de intuição, são um excelente prenúncio. Sporting e Nani reencontraram-se em tempo de dor – oxalá voltemos a ver ambos na plenitude daquilo a que nos habituaram.

Transcrevo a seguir a terceira parte das declarações de Sousa Cintra ao jornalista Neves de Sousa, em março de 1990. O atual líder da SAD leonina explicava-se, na primeira pessoa.

O vazio que levou Sousa Cintra à presidência (3). Bom: depois o Carlos Monjardino telefona-me a dizer que uns queriam que eu fosse o presidente, outros queriam que fosse o António Simões [do Brás e Brás]. Eu disse-lhe logo: “Se é isso, não vale a pena termos desencontros, que eu não vou ser candidato. Nem vou lá que é para não estragar as coisas. Já fiz disparate, não vou fazer mais. (…) O Monjardino pede-me por tudo para ir falar com ele. “Ò Cintra, não seja chato. Você meteu-me nisto e agora tenho a criança nos braços e quero arranjar uma solução. Queria que você ficasse. Fazia-se aqui uma coisa concertada, ficávamos todos. Como você partiu a louça, eles já não querem o Simões. O Cintra ficava como administrador-delegado, e o Calheiros, que é mais velho, em presidente”. Perguntei-lhe se ele estava a brincar comigo. Primeiro, não queria. E se quisesse, não era assim. Não quis saber mais daquilo para nada, escolhessem quem quisessem. Mas não conseguiram e vieram ter comigo para eu ser o presidente. (…) Então, faríamos uma coisa de consenso, um entendimento. Ficava eu, o Simões, o Monjardino, ficavam todos. Lá se arranjaram as coisas, estava tudo combinado. E qual não é o meu espanto quando eu criei uma lista de várias pessoas e eles as queriam tirar? Achei que era de mais. Uma coisa era o consenso, outra era eu fazer de figura decorativa. Tinha que ter algumas pessoas da minha confiança. Ia enfrentar aquilo… e se alguma coisa corria mal? Disseram-me que se eu não queria assim, faziam uma associação com outros, tinham outros grupos que também queriam entrar com eles. “E você fica isolado”. Respondi: “Não fico isolado coisa nenhuma (…) não me chateiem a cabeça, senão entro mesmo. E entro para ganhar”. Disse cá para comigo: ai sim? Então, vamos para a frente, não quero nada com esta gente.
Na próxima segunda-feira: A pressão dos sócios (conclusão)

Parágrafo final dedicado à excelência dos comentários de José Morgado e Pedro Gonçalo Pinto, na Sport TV, ao torneio de ténis de Cincinnati, ganho por Novak Djokovic – que à quarta tentativa conseguiu vencer Roger Federer e subir a n.º 6 do ranking ATP. A aventura continua.

Outra vez segunda-feira, Record, 20AGO18

Partilhar

Os comentários estão fechados.