Claudia Cardinale fez 80 anos: ícone um dia, ícone para sempre

Há meio século, os cinéfilos inveterados como eu pensavam que o Mundo giraria devagar e que os grandes nomes do cinema fariam para sempre parte do nosso quotidiano. Há dias, na passagem dos 80 anos de Claudia Cardinale, musa das décadas de 60 e 70, recordei esse equívoco quando comentei o evento com alguma emoção – 80? Já?! – e a minha filha adolescente, que segue as notícias e se interessa por conhecer todos os intervenientes, me perguntou: “Quem é essa?”

É certo que a inexorável marcha do tempo, que fez de nós velhos, envelheceu também, de forma talvez mais dramática, aqueles que imaginámos ser símbolos da beleza eterna. Quem vê hoje imagens de Brigitte Bardot, Gina Lollobrigida, Sofia Loren ou Claudia Cardinale, para citar apenas os mais populares ícones da beleza feminina de meados do século 20 – altura em que as salas se enchiam e os protagonistas eram mais importantes do que os filmes – não pode fazer sequer uma pálida ideia do que elas representaram para largos milhões de homens de diversas gerações.

Há pouco, tive novo sinal de que não virão aí momentos tão lúcidos como desejaria: ao ver, no vidro de uma farmácia, uma enorme foto da Bardot com a frase ícone um dia, ícone para sempre, pedi que me fotografassem junto, sem querer saber do ridículo. Talvez seja a nostalgia que lentamente me mata – tenho de parar com isto antes que seja tarde.

Parece que foi ontem, Sábado, 3MAI18

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