Centeno, o anestesista

Quem gere orçamentos só dispõe de um recurso quando as receitas não bastam: reduzir custos. Foi por certo isso, e não o contrário, que fez Daniel Oliveira ao assumir a direção de programas da SIC. Ou seja, para contratar Cristina Ferreira, ele não aumentou as despesas da estação e terá precisado até de as diminuir, cortando talvez retribuições menos rentáveis ou limpando gorduras do anterior “star system” e retocando a grelha – exemplo: a recuperação para o “late night” do canal principal de uma rubrica cor de rosa de sucesso da SIC Caras. Porque estamos a falar de televisão e de resultados. Ou se pensa bem ou outro virá resolver a equação por nós.

Parecendo mais pesado, é mais leve gerir um Orçamento como o do Estado abusando das cativações, já que a quebra das audiências não cai em cima do artista. Escrevo isto a sofrer pelos doentes sem voz do serviço de Pneumologia do IPO de Lisboa, que desesperam há semanas por fazer as broncoscopias sem as quais o seu tratamento não avança. E tudo porquê? Porque existe apenas um (!) anestesista, que está de baixa, e a substituição persiste bloqueada – uma praga que atinge, aliás, todo o hospital. Com a opinião pública anestesiada, é fácil dr. Centeno.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 15SET18

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