Caixa Geral de Depósitos: os milhões e os trocos

A Relação acaba de dar razão aos funcionários da Caixa Geral de Depósitos que reclamaram do facto de lhes ter sido cortado um mês de subsídio de refeição. Não, não se tratou de uma ação de poupança absurda da administração do banco, antes da aplicação de uma norma seguida por todas as empresas: quando está de férias, o trabalhador não recebe subsídio de alimentação. Por muito óbvio que possa parecer, na CGD não era assim, o dinheiro jorrava e pagavam-se os almoços durante os 12 meses. E agora, por decisão de um tribunal superior, a entidade bancária – que cobra aos reformados o levantamento do seu dinheiro das contas que o Estado os obrigou a abrir – tem de dar a ajuda para o refeiçoar do pessoal, mesmo que ele esteja a banhos nas Caraíbas.

Estamos, claro, perante um divertimento com trocos. A questão séria é outra e foi há dias retirada do esquecimento por Rui Rio, no congresso da JSD: é que continuamos sem saber os nomes das pessoas ou empresas que receberam, ao longo de vários anos, empréstimos da Caixa sem as garantias que permitissem a sua recuperação, bem como os montantes com que cada qual se abarbatou e a indicação de quem despachou favoravelmente esse criminoso esbanjamento de milhões de euros do banco público. Pergunta estúpida: o que estará a travar a investigação?

Observador, Sábado, 19ABR18

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