Atrasados mentais atacam nas praxes

Há mais de 20 anos que percorro o Campo Grande, em Lisboa, por motivos familiares e escolares. E conduzo quase de olhos fechados umas centenas de metros – em especial nesta fase do ano, seja logo de manhã ou ao final da tarde – na tentativa de não ver os atrasados mentais que humilham os caloiros desejosos de “agradar” aos veteranos e de se sentirem “incluídos”. Muitos dos infelizes que caem na teia das praxes não entendem que no futuro dependerão da sua capacidade e do conhecimento que adquirirem e não da eventual simpatia de colegas que nunca mais verão.

Nos canais de televisão, o início da semana trouxe-nos a denúncia de excessos desses fundamentalistas, como foi o caso do vídeo gravado na Covilhã por outros jovens, em que se vê um pobre de Cristo ajoelhado e de rosto enterrado num monte de farinha. Haverá nisto uma ideia para além da estupidez mais profunda?

Desgraçadamente, agora que o tema da tortura dos que entram nas universidades parecia ficar na agenda, exposto na plenitude da boçalidade e abrindo a esperança da sua censura social, caiu-nos em cima o inacreditável dia seguinte do roubo do material de guerra, em Tancos. E os atrasados mentais passaram a ser outros. Categoricamente.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 6OUT18

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