Aos 90+3 o fantasma do Zé dos Frangos foi visto no Restelo

O Belenenses fez ontem um bom jogo contra o Sporting. Não ganhou porque não tem um ponta de lança, só tem armandinhos. E sofreu o golo da derrota a dois minutos do fim, o costume. Se eu tivesse uma nota de 100 euros por cada situação destas que já vivi no Estádio do Restelo, não estaria rico mas andaria perto.

Recordo como se tivesse sido ontem um Belenenses-Sporting da época de 1961-62, já no Restelo, em que jogámos também de igual para igual com os leões e quando parecia que o empate seria o resultado final, um guarda-redes extraordinário e futuro Magriço, o José Pereira, fez jus à sua designação de Zé dos Frangos. Também conhecido como Pássaro Azul, voou da baliza para desviar a soco um cruzamento na área e enfiou a bola – molhada, que o tempo era de chuva – dentro da nossa baliza. Aquela mesma baliza onde agora o Bas Dost assinou o ponto, qual fantasma do José Pereira de há 55 anos…

E perdemos por 1-0, é uma sina.

Nota final – O Benfica teve igualmente um enorme guarda-redes com o mesmo apelido, o Costa Pereira, bicampeão europeu e capaz, como o Zé, tanto da defesa espantosa como do falhanço mais inexplicável – um deles custou mesmo uma Taça dos Campeões aos encarnados, em 1965, e a ele o afastamento da Seleção e do Mundial de 1966. Era conhecido, por isso, como o Costa dos Frangos. Conheci-o já nos anos 70, na redação do Diário de Lisboa. Bons tempos.

Dossier has been – Em defesa do Costa dos Frangos, que era um fabuloso guarda-redes

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