Alô, Dona Rosa! ou o “telegrama” de Clara de Sousa

O Mundo anda perigoso e sucedem-se as tragédias, mas preciso de fazer uma pausa nas notícias para que a vida não seja só desgraças. Então, depois de ouvir Clara de Sousa dizer, a propósito do terror em Nice, que o Presidente Marcelo tinha enviado “um telegrama” de condolências ao homólogo francês, fartei-me.

Um telegrama?! Stop: há quantos anos terá essa reminiscência do “Pátio das Cantigas” caído em desuso? Pelo menos há dez acabou com o serviço, nos Estados Unidos, a emblemática Western Union, mas Clara de Sousa ainda vê o mensageiro, ofegante, a bater à porta do Eliseu com os nós dos dedos e a anunciar ao mordomo em pijama: “Télégramme pour M. Hollande!”

Refugiei-me no Tour, mas a prova rainha do ciclismo é este ano do mais secante, com Froome sem rivais, e só a beleza da paisagem justifica o interesse dos diretos. Para mais, Rui Costa dececionou, com atrasos que chegaram à meia hora. Tentou, a 10 de julho, o pleno com o futebol e com o atletismo, mas fez segundo e afundou-se. Ontem, voltou a querer ganhar a etapa e foi apanhado já perto da meta, pelo que lá terei de regressar às notícias – e aos disparates – sem ter recarregado, com uma alegria, a bateria da tolerância. Pior para mim, Dona Rosa. Stop.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 23JUL16

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